
Enquanto observava Marlene comer, milhares de coisas passavam na cabeça de Sirius - e nem sempre tinham a ver com o que faziam. Iam desde Quadribol até o dever da aula de Transfiguração que esqueceu de fazer. Mas vez ou outra, sua atenção era toda da loira. Ela se deliciava com a comida enquanto ele bebia uma ou duas vezes e beliscava várias. Não estava com fome, mas aceitava a comida. E pensou ingenuamente que Marlene não notaria aquilo, ou notaria mas não falaria nada, mas de fato, ingenuidade. - Estou comendo. - Beliscando, na verdade. O que poderia fazer? A comida tinha sido pedida para a alegria da loira, mas se ela desejava que Sirius comesse junto… Ele apenas abriu a boca, como se esperasse que a amiga desse comida em sua boca. - Me dê comida, então. - Brincou ele, abrindo a boca novamente. Como sempre, extremamente cara de pau. Esperava mesmo era pra ver a reação da Grifana, que por parte acreditava ele que ela lhe alimentaria, mas também sentia que poderia ganhar um sermão ou um tapa. Ou simplesmente Marlene o impressionaria, como adorava quando fazia.
Marlene arqueou uma sobrancelha quando Sirius propôs que ela desse comida em sua boca. O rapaz acreditava mesmo que ela iria fazer isso? Provavelmente não. Revirou os olhos, por fim, e cobriu os lábios com a mão, se entregando ao riso. O humor de Sirius era extremamente compatível com o seu e um dos motivos da loirinha estar – como colocar em palavras? – arrebatada pelos encantos do rapaz. Um motivo entre muitos, tinha que admitir embora a ideia não lhe agradasse nem um pouco. Por que diabos tinha concordado com aquele encontro mesmo? Não importava o quanto Marlene tentava puxar da memória não conseguia entender o que estava pensando quando aceitou o convite. Para alguém que estava tentando não se envolver, não se entregar aquilo que sentia e que a fazia se sentir tão vulnerável, a proximidade de um encontro jamais seria recomendável. Assim que tivesse a chance Sirius aproveitaria para conseguir o que queria – e Marlene não era ingênua o suficiente para dizer que não sabia quais eram as intenções do garoto, ela sabia desde o início – e assim que conseguisse, a descartaria, como descartou tantas outras antes dela. E bem…é o preço que se paga ao se expor a isso, certo? Marlene conhecia Sirius muito bem e jamais poderia acusá-lo de iludi-la, pois ele não o fizera em momento algum, não propositalmente, pelo menos. Mas garotos como Sirius sempre acabam iludindo as garotas com quem saem, eles podem até não fazer ideia disso, mas é a mais pura verdade. Era inevitável alimentar esperanças de que com ela poderia ser diferente, e assim que voltava a si tentava estipular pela cabeça de quantas outras garotas se passou esse mesmo pensamento. Meneou a cabeça, agitando as mechas loiras suavemente enquanto tentava afastar todos aqueles pensamentos. Então uma ideia lhe ocorreu: ela pegou uma azeitona de uma das travessas e fechou um olho enquanto mirava na direção do amigo. – Ok, você quem pediu. – Demandou, sem delicadeza alguma enquanto um sorriso divertido tomava conta de seus lábios. – Vamos ver se eu acerto. – Se ele queria comida na boca, teria comida na boca. Só que do jeito dela.
- “Ganha um prêmio”. – A loira repetiu em tom de deboche e revirou os olhos. – Isso é muito vago, Black. Mas ok, você...
Marlene sempre o surpreendia. Um dos pontos mais fortes e mais adoráveis da loira, o que Sirius mais gostava. Ela não...